
A história pensada e ensinada: da geração das certezas à geração das incertezas
Helenice Ciampi
Memória e história se unem neste trabalho, com toda a força e o melhor de transmissão e de análise que cada uma das duas pode carregar. Helenice Ciampi, ao recuperar “a história pensada e ensinada” pelo Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, articula este objeto particular com um todo mais amplo de uma cultura e política brasileiras (e mesmo ocidental) das décadas de 70/80. O percurso da história enquanto forma de conhecimento, a historiografia ensinada nesses anos - geral e brasileira - a história do ensino universitário são apresentados como eixos condicionantes do perfil específico desse Departamento.
O todo mais amplo nos chega inicialmente através da Igreja Católica Apostólica Romana. Na esteira do Concílio Vaticano II e seu “aggiornamento”, veio a Conferência de Medellin, numa preocupação com as classes populares e o reaparecimento das ditaduras na América Latina e que muito marcou o projeto de ensino da PUC-SP, então em interação com os famosos acordos MEC-USAID, com a reforma universitária de 1971, etc. Ao analisar a história da instituição, a autora relembra uma PUC-SP que, como sabemos, teve relevante papel político na sociedade do regime militar, abrigando talentos cassados e acolhendo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) proibida em 1977, numa tônica apontada por vezes como "resistência". Helenice recupera o momento idealista dos “guerrilheiros da Monte Alegre” durante os “anos de chumbo” e de reabertura democrática, movidos pelo se que pode ver como uma "missão" ou “vocação”, ligados na formação de seus alunos.





