
Categorias de um tempo que decorre: experiência histórica e utopia no pensamento de Ernst Bloch
Marta Maria Aragão Maciel
O Princípio esperança (Das Prinzip Hoffnung) constitui uma das mais radicais obras filosóficas de nossa época. Em oposição ao marxismo vulgar que havia aderido à uma visão determinista da história e a um ideal burguês/moderno de progresso, a opus magnum de Ernst Bloch se destaca pelo resgate da “herança intacta”, da “corrente quente” da revolução. Elaborando sua Filosofia numa época que, marcada pela barbárie, crescentemente conheceu produções teóricas anunciando o “fim da utopia”, o autor aqui refletido, herdeiro de Hegel e Marx, contribuiu para a formulação de uma ontologia da possibilidade, compreendendo dialeticamente que o real como história é processo, sendo também abertura à produção do novo pelos homens. Logo, desprovido de saber é, isto sim, toda postura que resvala na ontologização de formas transitórias da existência humana e social.





