
As Normalistas do Rio de Janeiro - Uma alquimia invertida: os ‘anos dourados’, as transmutações da Escola Pública e os ‘anos de chumbo’ das Escolas Normais, 1920 – 1970
Fábio Souza Correa Lima
O livro As normalistas do Rio de Janeiro, assinado por Fábio Lima, discute os signos de prestígio que marcaram o imaginário popular acerca das normalistas. Acompanhando a expansão das escolas normais no Rio de Janeiro, desde os anos 1930 até a década de 1970, o livro mostra as disputas que acompanharam as mudanças na cultura política carioca em um contexto de universalização da educação primária, para a qual era necessário formar mais professores. Mostra, também, como essa expansão está associada à integração de áreas do subúrbio ao centro urbanizado da cidade e avança até os primeiros anos do regime militar, quando cai a nomenclatura e se perde a especificidade da escola normal. Nesse percurso, o autor avalia o papel do governo Carlos Lacerda na Guanabara (1960-1965), marcado por grandes obras de infraestrutura e pela construção de muitas escolas, das quais, questiona Lima, muito se fala, mas pouco se discutem as condições em que estas escolas foram entregues à população. Nesse ponto, vemos que o processo de precarização da educação pública, tão presente e prejudicial nos dias de hoje, tem uma longa história e merece uma reflexão que nos permita compreende-lo em sua historicidade para, então, pensarmos estratégias de luta em prol da garantia do direito à educação pública, democrática e de qualidade.
Libânia Xavier
Dezembro / 2025





